CARACAS (Reuters) - Um jato da Marinha norte-americana violou no sábado o espaço aéreo da Venezuela, em torno de duas ilhas caribenhas, em um incidente que Caracas disse ser uma provocação.
O Pentágono disse que o avião participava de uma missão contra o narcotráfico e teve problemas de navegação que o levaram a entrar no espaço aéreo venezuelano. O embaixador dos EUA em Caracas foi convocado para explicar o episódio, segundo a chancelaria local.
"Caso um avião dos EUA entre não-intencionalmente no espaço soberano de outra nação, sua tripulação está orientada a agir rapidamente para deixar o espaço aéreo e relatar o incidente à sua cadeia imediata de comando, o que esta tripulação aérea aparentemente fez", disse o comandante-naval J.D. Gordon, porta-voz do Pentágono.
O jato, um Viking S-3, chegou até perto da ilha de La Orchila, onde fica uma residência oficial do presidente venezuelano. "Foi um ato consciente da Marinha dos EUA," disse o ministro venezuelano de Defesa, Gustavo Rangel, em entrevista coletiva. "É só mais um passo numa série de provocações."
Rangel disse que esse tipo de incidente já aconteceu no passado, mas que agora a Venezuela tem equipamentos para detectá-los.
De acordo com Rangel, o avião esteve a cerca de 120 quilômetros do território continental venezuelano. Depois de ocorrida a violação, o controle do tráfego aéreo entrou em contato com o caça, que se identificou e informou sobre um erro de navegação.
O incidente pode agravar a tensão entre Venezuela e EUA, que envolve também a Colômbia. Na semana passada, Washington disse haver provas de ligação entre o governo de Hugo Chávez e a guerrilha colombiana Farc. Chávez rejeitou a acusação e disse que por causa dela está revendo as relações comerciais com a Colômbia.
Chávez habitualmente acusa os EUA e a Colômbia de tramarem uma invasão da Venezuela. No fim de semana, Bogotá negou a acusação feita por Caracas de que 60 soldados colombianos teriam entrado cerca de 500 metros no território venezuelano na sexta-feira.
O jato envolvido no incidente de sábado pertence à Força-Tarefa Conjunta de Inteligência do Sul, uma operação antidrogas com sede na Flórida. A missão havia partido da ilha caribenha de Curaçao, que pertence à Holanda, segundo uma autoridade dos EUA.
La Orchila, onde também há uma base militar, ficou conhecida entre os venezuelanos porque Chávez esteve detido ali durante o breve golpe de Estado de 2002. Em geral, a Venezuela só autoriza vôos dos seus militares sobre a ilha.
(Reportagem adicional de Kristin Roberts e Arshad Mohammed em Washington)
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