Ex-volante se assusta com as quantias que os jogadores ganham hoje em dia e garante que há 50 anos ninguém ficava rico jogando futebol
O ex-volante Zito garante que jamais ficou rico jogando futebol. Corria atrás da bola porque era a sua paixão. Por isso, se assusta quando vê as voltuosas quantias que os jogadores de seleção brasileira ganham hoje, as fortunas que o nome de um jogador movimenta. Em 1958, conta Zito, os jogadores não era estrelas, não tinham assessores, empresários, agências de marketing, nada disso. Pensava-se única e exclusivamente em jogar futebol.
- Até hoje somos reconhecidos pelo que fizemos. Reconhecimento financeiro, não. Mas também a gente não pensava em nada disso naquela época. À medida que fomos avançando na competição, só pensávamos no titulo. Não tinha negócio de prêmio, dinheiro, ninguém falava nada disso. Só queríamos jogar e ganhar a Copa - diz.
Capitão do Santos nos anos 50 e 60 - sua autoridade não era contestada por ninguém, nem mesmo por Pelé - Zito só conquistou a vaga de titular no terceiro jogo da Copa, contra a União Soviética, entrando no lugar de Dino Sani.
- Aquele era um grupo espetacular e eu tive a honra e a sorte de poder ter feito parte daquela campanha. Fui feliz de poder ter entrado no time e não ter saído mais. Aquele título foi a afirmação do futebol brasileiro no Mundo. O começo de tudo - conta.
O ex-volante respeita muito os outros quatro títulos mundiais conquistados pela seleção. Mas não tem dúvidas em afirmar que o de 1958 foi o mais importante. Não apenas por ter sido o primeiro, mas por ter sida a única Copa do Mundo conquistada pelo Brasil na Europa. Em 1962, o Brasil foi campeão no Chile; em 1970, México; em 1994, Estados Unidos; e em 2002, na Ásia (Japão e Coréia do Sul).
- Nós estávamos jogando contra as principais seleções do mundo no território deles. O fato de ter sido conquistada na Europa torna essa Copa ainda mais especial. Não tenho dúvidas de que foi a principal conquista da história do futebol brasileiro.
Zito revela que logo após a conquista do título, ainda na Suécia, houve uma óbvia euforia de jogadores, comissão técnica e dirigentes. No entanto, ele admite que o grupo só percebeu a real dimensão do que aquele título significava mais tarde, na chegada da delegação ao Rio de Janeiro.
- A emoção mais forte, na verdade, foi na recepção da delegação no Rio. Quando chegamos ao Aeroporto do Galeão, havia uma multidão nos aguardando. Fomos colocados num caminhão dos bombeiros e seguimos até o Palácio do Catete. O povo todo foi correndo atrás durante todo o trajeto. Foi uma algo tão maravilhoso, tão grande que dão dá nem para descrever - comenta Zito, que hoje é gerente de futebol do Santos.
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